Airbus A330neo da TAP (foto: Daniel R.Carneiro / DRC Imagem)

Lufthansa vence disputa pela TAP com proposta de 1,2 bilhão de euros

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(fonte: Diário de Notícias / Portugal; foto: Daniel R.Carneiro / DRC Imagem)

Grupo alemão supera oferta da Air France-KLM em 16% e assumirá a gestão executiva e operacional da companhia portuguesa. Acordo prevê expansão da frota, investimentos em infraestrutura e possibilidade de privatização total até 2028.

O Governo de Portugal anunciou nesta quarta-feira, 14 de outubro, que a Lufthansa venceu o processo de privatização da TAP Air Portugal, com uma proposta de 1,201 bilhão de euros pela participação de 49,9% na companhia aérea. A oferta do grupo alemão superou em 163 milhões de euros, ou aproximadamente 16%, a apresentada pela Air France-KLM, de 1,038 bilhão de euros.

O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros. Segundo o Governo, além do maior valor financeiro, a proposta da Lufthansa apresentou “menor grau de incerteza”.

“O Governo conclui assim com sucesso a primeira fase da privatização da nossa companhia aérea”, afirmou Montenegro, destacando a condução de “um processo com rigor” e “total transparência”.

A transação atribui à TAP uma avaliação total de 2,552 bilhões de euros. O Estado português manterá inicialmente 50,1% do capital, “preservando o controlo da companhia e a valorização futura desta participação”, segundo o primeiro-ministro.

A Lufthansa assumirá a responsabilidade pela gestão executiva e operacional da TAP após a conclusão da operação, prevista para o início de 2028, dependendo das autorizações regulatórias, incluindo a aprovação da Comissão Europeia.

Durante o período de transição, o Governo pretende manter Luís Rodrigues na presidência executiva da transportadora, sem cogestão com o grupo alemão. A Lufthansa, entretanto, poderá acompanhar a execução do plano estratégico da companhia.

Expansão da frota e fortalecimento das operações internacionais

O acordo prevê um programa de expansão da TAP, com crescimento da frota para 117 aeronaves até 2035 e 130 aviões posteriormente, associado à entrada em operação do novo aeroporto de Lisboa.

Entre os compromissos assumidos pela Lufthansa está a transferência de até oito Airbus A350-900 para a TAP até 2030, além da modernização da frota da Portugália, subsidiária regional da companhia portuguesa.

No campo operacional, a proposta garante a preservação da marca TAP, a manutenção de seu hub em Lisboa e das conexões com as ilhas portuguesas, o Brasil e os demais países de língua portuguesa. Também está assegurada a permanência da companhia na Star Alliance.

Segundo o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, a incorporação da TAP permitirá à Lufthansa ampliar sua participação no mercado latino-americano dos atuais 9% para 20%.

O ministro destacou ainda a perspectiva de fortalecimento das operações transatlânticas por meio de uma parceria com a United Airlines e a Air Canada.

“A TAP já era forte no Atlântico Sul, começava a ser forte no Atlântico Norte e, com esta parceria com o grupo Lufthansa, passará a ser o grande player do Atlântico Sul e Norte”, afirmou Pinto Luz.

Investimentos em manutenção e formação aeronáutica

A proposta inclui a integração das atividades de manutenção da TAP à rede global da Lufthansa Technik, ampliando a capacidade técnica e operacional da empresa.

Está previsto um investimento de 350 milhões de euros em um centro de manutenção em Santa Maria da Feira, com a criação de mais de 700 postos de trabalho.

O acordo contempla ainda a implantação de uma escola de formação de pilotos em Tancos, um centro de inovação em Aveiro e um centro de serviços corporativos.

Segundo o Governo, a expansão da TAP deverá gerar aproximadamente três mil empregos, enquanto o conjunto dos investimentos associados à operação poderá resultar em 5.500 postos de trabalho diretos e indiretos.

O ministro também assegurou “o respeito absoluto pelos trabalhadores e pela estabilidade laboral” e afirmou que “os acordos de empresa serão escrupulosamente garantidos”.

Privatização total poderá ocorrer até 2028

O Governo português também admite uma segunda etapa do processo, com a possibilidade de transferir a participação remanescente do Estado na TAP em troca de ações da holding do grupo Lufthansa.

Essa operação, que poderá ser concretizada até 2028, prevê um pagamento adicional de 488 milhões de euros, além de uma permuta acionária que poderá transformar Portugal no segundo maior acionista do grupo alemão.

Segundo Luís Montenegro, o objetivo é alcançar “a recuperação total do valor que os portugueses investiram na TAP”, em referência aos mais de 3,2 bilhões de euros de recursos públicos destinados à companhia nos últimos anos.

A participação na holding permitiria ainda ao Estado português receber dividendos futuros, mantendo interesse econômico no setor de transporte aéreo mesmo após uma eventual privatização integral da TAP.

“Seremos o segundo maior acionista do quarto maior grupo aeronáutico do mundo”, afirmou Miguel Pinto Luz.

A operação representa uma mudança significativa na estrutura acionária da TAP e poderá ampliar sua integração à rede internacional da Lufthansa, especialmente nos mercados da Europa, América do Norte, Brasil e demais países de língua portuguesa.