Airbus A330-900 CS-TUL da TAP no Galeão (foto: Daniel R.Carneiro / DRC Imagem)

Air France-KLM e Lufthansa apresentam ofertas finais por participação na TAP

Aviação Aviação Comercial

(fonte: Aviation Week; foto: Daniel R.Carneiro / DRC Imagem)

A TAP Air Portugal deu mais um passo em seu processo de privatização, após Air France-KLM e Lufthansa Group apresentarem propostas finais aprimoradas para a aquisição de uma participação na companhia portuguesa. A TAP é considerada um ativo estratégico devido à sua posição no sul da Europa e à forte presença nas ligações com a América do Sul, especialmente com o Brasil.

“Nosso interesse na TAP está mais forte do que nunca e estamos entusiasmados em apresentar esta oferta final para uma participação de até 49,9% da TAP. Nas últimas quatro semanas, nossa equipe e nossos assessores trabalharam intensamente para fortalecer nossa proposta, e estou convencido de que esta oferta revisada representa o melhor caminho para a TAP, sua administração, seus funcionários e seus clientes, assim como para Portugal.”, afirmou o CEO da Air France-KLM, Ben Smith.

Smith classificou a proposta da Air France-KLM como “um ambicioso plano estratégico de longo prazo, que acreditamos posicionar melhor a TAP para o futuro e proteger a conectividade e a soberania de Portugal”.

O governo português deixou claro que espera que o vencedor do processo esteja disposto a investir na TAP, contribuindo para a expansão de rotas consideradas estratégicas e para o crescimento de sua malha aérea, não apenas no hub de Lisboa, mas também em outros aeroportos regionais de Portugal.

Segundo Smith, na proposta da Air France-KLM, Lisboa passaria a ser o hub exclusivo do grupo no sul da Europa.

De acordo com dados da OAG, Lisboa é o maior ponto de acesso europeu no mercado entre a Europa e o Brasil. No inverno 2026-2027, o aeroporto deverá oferecer 1,54 milhão de assentos nesse mercado, equivalentes a 31,4% da capacidade total Europa-Brasil. Madri aparece em segundo lugar, com 753,3 mil assentos e participação de 15,4%, seguida pelo aeroporto Paris-Charles de Gaulle, com 524,9 mil assentos.

“O principal objetivo da Air France-KLM é garantir o crescimento de longo prazo da TAP, não apenas em Lisboa, mas também no Porto e em outras cidades portuguesas, e fazê-lo de maneira sustentável. Juntos, fortaleceríamos as ligações de Portugal com suas ilhas, sua diáspora e o restante do mundo, ao mesmo tempo em que ampliaríamos a conectividade do Porto e de outras cidades”, afirmou Smith.

A Delta Air Lines, parceira da Air France-KLM em uma joint venture, apoia a oferta e compartilha a intenção de ampliar ainda mais a conectividade de Portugal, inclusive no mercado do Atlântico Norte, segundo Smith.

Em uma publicação separada no LinkedIn, o executivo acrescentou que, com o apoio da Air France-KLM e de seus parceiros transatlânticos, a TAP poderia oferecer conexões para uma rede de 375 destinos.

“Queremos construir uma ponte ainda mais forte através do Atlântico”, enfatizou.

A Air France-KLM já possui experiência recente em operações de fusões e aquisições na Europa. O grupo pretende elevar sua participação na Scandinavian Airlines (SAS) até assumir o controle majoritário da companhia, em um processo que deverá ser concluído ainda neste ano.

O Lufthansa Group, por sua vez, adquiriu uma participação na ITA Airways em 2025 e está finalizando o aumento dessa participação, movimento que também amplia sua presença no sul da Europa. O grupo alemão pretende dar continuidade a essa estratégia por meio de um investimento na TAP. Um porta-voz da Lufthansa confirmou que o Lufthansa Group “apresentou à Parpública uma oferta atualizada e aprimorada no processo de licitação da TAP Air Portugal, reforçando ainda mais nosso compromisso de longo prazo com a TAP e com Portugal”.

A Parpública é a holding estatal responsável pelo processo de venda, que se estende há vários anos e sofreu sucessivos adiamentos em consequência de mudanças no cenário político português.

“Nossa proposta reflete nossa convicção de que, com base em nosso histórico comprovado de desenvolvimento bem-sucedido de companhias aéreas de rede, o Lufthansa Group é o melhor parceiro para apoiar o crescimento futuro da TAP, fortalecer sua competitividade e desenvolver ainda mais seu papel como companhia aérea nacional de Portugal”, acrescentou o porta-voz.

De acordo com dados da OAG, a TAP deverá disponibilizar aproximadamente 8,49 milhões de assentos durante o inverno 2026-2027, volume 5,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A capacidade regular total no mercado Europa-Brasil deverá crescer 8,7%, atingindo 4,89 milhões de assentos nos dois sentidos durante a temporada de inverno. Embora a TAP tenha caído para a segunda posição nesse mercado, atrás da LATAM, sua participação permanece elevada, em 23,1%.

A Air France-KLM será a terceira maior fornecedora de capacidade entre a Europa e o Brasil neste inverno, com participação de 13,5%, abaixo dos 14,7% registrados no ano anterior. O Lufthansa Group, incluindo a ITA Airways, terá participação de 13%, ocupando a quarta posição. Sem considerar a ITA, a participação do grupo seria de 7,9%.

Como parte da expansão de sua malha brasileira, a TAP iniciará no final de outubro uma nova ligação entre Lisboa e São Luís, no Maranhão.